Cordel 2.0: como a literatura popular está se reinventando e criando novas oportunidades de negócio
O cordel vive um renascimento no digital, abrindo espaço para empreendedores criativos inovarem e lucrarem com cultura popular.
Introdução
A literatura de cordel, com seus versos rimados e xilogravuras marcantes, é um dos patrimônios culturais mais fortes do Brasil. Originada no Nordeste, essa forma de arte narra histórias populares, fatos históricos e reflexões sociais em formato acessível e envolvente.
Nos últimos anos, o cordel ganhou novas plataformas: vídeos curtos, e-books, redes sociais e até NFTs, transformando-se em uma oportunidade real para empreendedores criativos.
Segundo o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan, 2018), o cordel é reconhecido como patrimônio cultural imaterial. Essa valorização, somada às tecnologias digitais, abriu portas para que novas gerações de autores, ilustradores e editores reinventem a forma de produzir e comercializar cordéis.
1. Do folheto à tela: o cordel digital 📱
Antes vendido em feiras e praças, o cordel agora circula em e-books, posts no Instagram e vídeos no TikTok. Autores usam recursos visuais e narrativas rápidas para conquistar públicos que talvez nunca tivessem contato com essa arte.
Aplicação prática:
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Criar perfis no Instagram ou TikTok para publicar trechos em vídeo, acompanhados de xilogravuras animadas.
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Disponibilizar versões em PDF ou ePub para compra ou download em marketplaces como Amazon e Google Play.
2. Novos formatos e colaborações 🎨
O cordel sempre teve forte ligação com a xilogravura, mas agora recebe ilustrações digitais, animações e até colagens. Isso amplia a estética e aproxima a linguagem de públicos mais jovens.
Aplicação prática:
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Parcerias entre cordelistas e artistas visuais para criar edições ilustradas especiais.
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Vender arte derivada do cordel (pôsteres, camisetas, cadernos) em lojas físicas e virtuais.
3. Cordel como ferramenta educacional 📚
Escolas e projetos sociais utilizam o cordel para ensinar literatura, história e cultura brasileira. Professores relatam maior interesse dos alunos quando o conteúdo é apresentado de forma lúdica e visual.
Aplicação prática:
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Criar coleções temáticas para escolas, abordando desde folclore até questões ambientais.
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Oferecer oficinas presenciais ou online de criação de cordel para crianças e adolescentes.
4. Monetização e modelo de negócio 💰
Hoje é possível monetizar o cordel de várias formas:
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Venda direta: folhetos físicos em feiras ou online.
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Produtos derivados: camisetas, quadros, bolsas com trechos e ilustrações.
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Licenciamento: permitir uso comercial de textos e imagens por marcas.
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Apoio recorrente: plataformas como Apoia.se e Catarse para sustentar a produção contínua.
Exemplo real: a cordelista e ilustradora pernambucana Mari Bigio une literatura e ilustração para vender livros, gravuras e dar oficinas, alcançando públicos de diferentes idades (Fonte: El País Brasil, 2024).
5. Oportunidades no marketing de conteúdo 📢
Empresas e instituições já perceberam que o cordel pode comunicar mensagens de forma culturalmente rica e marcante. Campanhas publicitárias e institucionais usam rimas e xilogravuras para se conectar ao público.
Aplicação prática:
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Oferecer serviços de “cordel sob encomenda” para campanhas de marketing.
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Criar cordéis temáticos para eventos, lançamentos e datas comemorativas.
6. Desafios e cuidados ⚠️
Apesar das oportunidades, o cordel exige respeito às suas raízes e à comunidade que o mantém vivo. É importante estudar a tradição, conhecer autores consagrados e evitar apropriação cultural descontextualizada.
Aplicação prática:
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Participar de eventos e feiras dedicadas ao cordel para aprender com mestres da área.
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Incluir créditos e referências a autores e artistas inspiradores.
Conclusão / Chamada para ação 🚀
O Cordel 2.0 prova que tradição e inovação podem caminhar juntas. Para empreendedores criativos, ele representa um espaço fértil para contar histórias, criar produtos e gerar renda com autenticidade.
Seja como autor, ilustrador, editor ou parceiro de projetos, o cordel pode ser o “verso” que faltava para o seu negócio brilhar.


